segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Viver todos os dias cansa...

Abre o teu coração e deixa-o ficar aberto. Não é preciso que seja durante muito tempo. Só para que algumas palavras possam passar, sair e entrar. Palavras tão velhas que as há desde que as há. Sobretudo as que para saírem têm antes de entrar e o inverso. Todas as palavras merecem todo o respeito, o maior respeito. Porque mais não temos e talvez seja por isso que, ao começar a falar, já não é possível parar, mesmo querendo tudo calar.

Pedro Paixão

domingo, 4 de janeiro de 2009

A Falta...

A partida! Não devia existir. Custa sempre ver alguém a ir embora, alguém que queremos que permaneça e que desejamos ter sempre por perto. É terrível! Impossível habituar-me a isso, dou por mim a desejar que voltes, segundos depois de te ter visto partir. As estradas e os caminhos da vida obrigam-nos a sentir isso! Penso para mim, “tem que ser” e ainda “ele volta rápido”, mas o tempo passa e vai passando e dou por mim a pensar o quanto poderíamos aproveitar e partilhar se estivesses aqui comigo. Mas quando estas não o fazemos, porque é que não falamos mais? Porque é que não passeamos mais vezes? Porque a vida fez-nos assim, afastou-nos sem disso ter-mos culpa, roubou-nos os momentos e até mesmo alguma confiança. O Amor, esse sim é incondicional e sempre o será. Tenho orgulho em ti, revejo-me nos teus olhos, ensinaste-me a ver a beleza no mais pequeno e ínfimo pormenor. Volta rápida, porque neste momento está a doer, a casa parece vazia e fria...

sábado, 3 de janeiro de 2009

O senhor Pardal...



O senhor pardal. Foi o nome que lhe dei na minha infância e é assim que o chamo até hoje. Só o conheço assim, um homem que veste quase sempre a cor preta, que passeia a noite aqui pela rua, de casaco quente e cigarro na mão, passo lento de quem não tem pressa e não espera o inesperado. Faz o mesmo trajecto todos os dias, passa pela minha janela, partilhamos o fumo do cigarro e diz com um tom meigo, típico de um avô “ Boa noite pequena Catarina”. È um vizinho de 23 anos, que durante o dia alimenta os pássaros que guarda na garagem e a noite vagueia pela rua, no silêncio. Vejo-o a afastar-se, depois do “Boa Noite”, relembro as vezes que me deixou observar aqueles passarinhos e me contou algumas histórias. Na altura, não conseguia entender, os meus olhos não conseguiam ver, agora sei que é um homem só. Um homem com uma história que desconheço e que gostava de conhecer, um senhor amável. O senhor pardal, não é apenas um vizinho, é uma figura mítica desta rua que a noite quase que não tem vida, é o complemento do silêncio tão agradável e a companhia de segundos, é o senhor Pardal.

Na ronha gostosa...



Hoje, durante a ronha, estive a rever pela milésima vez, aquele que considero umas das melhores animações de todo o sempre Belleville Rendezvous.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Eu desejo, tu desejas, nós desejamos...




Mais um aninho que já lá vai e outro que esta agora mesmo a começar. O que é que muda? Nada e ao mesmo tempo tudo. Pensamos em tudo o que aconteceu de bom e de mau em 2008, desejamos esquecer as coisas más mesmo não as esquecendo, aceitamos que crescemos todos os dias mais um bocadinho mesmo sentindo-nos pequeninos, pensamos no tão doce que foram as coisas boas e desejemos mais e mais… Queremos manter todos os nossos tesouros connosco, cuidar deles, limpar-lhes o pó e guardar tudo o que nos aconteceu e poderá acontecer numa caixa ou mesmo num livro que estará sempre aberto. Enfim, um dia normal, para quem gosta de se dedicar ao acto reflexivo sobre estas questões, todos os dias.

Foi maravilhoso, a partilha, a companhia e as doideiras próprias de quem é assim e não poderia ser de outra forma!

Desejo um dia acordar numa casa rústica, quentinha (devido ao calor da lareira), rodeada de árvores e de mantos verdes, ouvir os passarinhos e a sentir o cheiro da terra molhada!