quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Coisas com Cliché...




Por vezes, as pessoas que fazem parte da nossa vida, de alguma forma, passam por nós e não nos vêem. Estão todos os dias por perto e ao mesmo tempo estão tão distantes daquilo que somos. Julgam mesmo conhecer aquilo que no fundo desconhecem. Vêem-nos com um sorriso e esquecem-se de olhar para os nossos olhos. Dizem palavras bonitas que nos alegram a alma, mas também se esquecem que algumas palavras são viajantes, chegam e partem. Não se lembram que tal como as imagens, por vezes uma acção ou atenção quebra muitas mais barreiras. E não vou continuar com o cliché, que apesar de cliché não deixa de ser verdadeiro, porque já todos o conhecemos. Somos todos tão dependentes uns dos outros e ao mesmo tempo tão egoístas. Gostamos sempre de ter por perto a nossa mão amiga, mas quantas vezes nem reparamos nas suas rugas, feridas e textura. Passeamos pelas ruas, sobre as pedras da calçada, vimos rostos de outras pessoas, absorvemos histórias, temos consciência de muitos males e necessidade de mudar o mundo de alguém que não conhecemos. Mas quantas vezes o mundo daqueles que fazem parte do nosso mundo nos passa ao lado. Quantas vezes nos esquecemos que no mundo desse alguém também estamos nós.
Depois vem a solidão, sentimos que temos tudo e ao mesmo tempo nada. Já alguém dizia que só sabemos sentir falta do que nos falta.

Julgo que o individualismo e a solidão são de facto os males dos nossos dias.

Fico-me por aqui hoje, que tudo isto são coisas confusas…

Foto: Minha

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Senhora Batata...




Eu hoje gostava de ser a senhora batata! Para poder tirar os pés só por um bocadinho! E mete-los numa panela quentinha, não a ferver só quentinha… E enquanto esses descansavam usar outros novinhos.

Mãos



"As mãos de dois desconhecidos a contarem histórias uma à outra, a confessarem segredos uma à outra, a rirem-se muito, a não terem medo uma da outra nem de nada, a não saberem nada uma da outra, nem do que era aquilo nem do que viria depois, a pousarem uma sobre a outra e a esquecerem juntas este cansaço da vida."


Foto: Olhares.com

sábado, 7 de fevereiro de 2009

"Casa das Palavras"




As palavras preenchem abismos. Constroem pontes de madeira ou aço fino. Somos todos em forma de palavras. As palavras machucam, doem,cortam. Palavras súbitas declaram a guerra e palavras esperançosas anunciam a paz. Qualquer palavra é mais do que uma palavra. Há palavras sonoras e palavras murmúrios. Palavras meigas e palavras bruscas. Umas suplicam, outras arrepiam. Em algumas podemos confiar, mas só em algumas. Em geral revelam o que outras apressadamente escondem. Há palavras que destroem almas, países. Há palavras ditas que nos elevam a alma até ao céu de onde depois rápidas regressam. Sem nunca esquecer as imprescindíveis palavras obscenas. Qualquer palavra dá e tira, junta e separa. Por vezes meia palavra é mais do que suficiente. Cada palavra possui uma origem inviolável. Ninguém sabe quem disse a primeira, quanto mais todas as outras que se lhe seguiram. Uma palavra agarra o que outra repudia. Uma pergunta o que outra cala. Palavra puxa palavra. Há palavras que se colam à carne, aos lábios, aos sexos floridos. Palavras que desejamos esquecer muito e não é possível. Quem criou uma única palavra que levante o dedo. As palavras vêm do peito, passam pela garganta e desfazem-se no ar esperando que alguém as apanhe com as duas mãos cerradas. Nenhuma nos pertence. Mas também há palavras que se dizem em silêncio numa vontade de recuperar o que foi perdido e mesmo sarar algum pecado. As palavras têm asas que as não deixam sossegar. Trazem consigo sabores e cheiros e coisas macias. As palavras unem-nos para definitivamente nos afastarem. Requerem entre si uma pausa que é a distância entre elas e nós próprios. É indispensável o breve silêncio que as separa, É nessa distância que habitamos. Sem ela irrompe um ameaçador vazio. É aí que melhor se escutam as palavras que se abrem e depois se esquecem.

Pedro Paixão; O Mundo é tudo o que acontece

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009



Sermos pequenos outra vez sabe sempre tão bem! E é tão fácil! Às vezes precisamos de alguém que espalhe um pozinho magico e nos faça viajar mais uma vez até a terra do nunca!Alguém que nos lembre o verdadeiro valor da palavra ACREDITAR. Era tão simples. Porque é que quando crescemos complicamos? Ela tem esse poder sobre mim, faz-me voar, acreditar e sorrir! Sorrir… A minha Sininho.