Estes dias são estranhos! Dias aos quais chamo dias tostas mistas! Porque são de facto um misto de emoções! Hoje passei de um estado de apatia, para as saudades verdadeiramente sentidas de alguns momentos onde me cruzei com gente verdadeiramente genuína, para a vontade de voltar a fazer um rali por montanhas, vales e rios, até agora, até ao medo do caos que se encontra há minha volta. Não do meu, porque com o meu caos posso eu bem ou vou achando que posso. Mas com o dos outros, daqueles que estão aqui nas minhas entranhas, que me ajudam a respirar. Por eles hoje perco o sono e ganho preocupação.
Tento abstrair-me dessa preocupação, para ver se o sono chega e se chega de mansinho, e para isso volto ao rali, volto aquela beleza que vi e aquela adrenalina que senti que nunca irei esquecer. Experiências que nos enchem, que se gravam mas que não se voltam a repetir, porque nunca serão vividas da mesma forma, com a mesma intensidade.
Bem, acho que o dia de hoje está a acabar e não passará mesmo de um misto. Resta-me come-lo e desejar-lhe uma boa noite.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
Rendo-me à sola do sapato...

Tenho os meus olhos nos figos:
Quando vai ser o tempo?
Estou tão fodido, em termos de:
Quem me me tirou
O que eu
Tinha?
E então:
…sou ou não sou?
Um cabrão?
Um amigo das estepes?
Um percebe?
A solução da manigância no meu seio,
O mundo da puta nas mãos.
Porquê agora?
Se eu não me meti com nada;
Muito menos com ninguém.
Quem pôs em causa que o Magoito?
Quem me phodeu?
Quem me phez assim?
O meu sangue, na minha pele,
Deitado mal.
Mais as hastes nos olhos.
Já não me governo
Com tão pouco.
Rendo-me à sola
Dos sapatos.
Vão-se foder todos:
Estou livre.
Ou livrem-se todos:
Estou fodido.
Vem dar ao mesmo.
Temos que ser uns para os outros.
Eu não sei o que isso quer dizer.
Adeus.
Miguel Esteves Cardoso
Foto: Catarina Pires (ou eu)
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Loucos e Santos...
Em noites como as de agora, onde o frio aperta e alma pede para ser aquecida... Em que me julgo muitas vezes "anormal" e questiono o que é a normalidade... Encontro estas palavras...
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
Oscar Wilde
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
Oscar Wilde
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Porque é que não há ninguém no deserto?
Hoje já ninguém vai ao nosso deserto... A razão principal é que já não há muita gente que tenha tempo a perder no deserto. Não sabem para que serve e,quando me perguntam o que há lá e eu respondo "nada", eles riscam mentalmente essa viagem dos seus projectos.
Viajam antes em massa para onde toda a gente vai e todos se encontram. As coisas mudaram muito! Todos têm terror do silêncio e da solidão e vivem a bombardear-se de telefonemas, mensagens escritas, mails e contactos no Facebook e nas redes sociais da Net, onde se oferecem como amigos a quem nunca viram na vida. Em vez do silêncio, falam sem cessar; em vez de se encontrarem, contactam-se, para não perder tempo; em vez de se descobrirem, expõem-se logo por inteiro: fotografias deles e dos filhos, das férias na neve e das festas de amigos em casa, a biografia das suas vidas, com amores antigos e actuais. E todos são bonitos, jovens, divertidos, "leves", disponíveis, sensíveis e interessantes. E por isso é que vivem esta estranha vida: porque, muito embora julguem poder ter o mundo aos pés, não aguentam nem um dia de solidão. Eis porque já não há ninguém para atravessar o deserto. Ninguém capaz de enfrentar toda aquela solidão. Eu próprio não creio que lá volte mais.
Miguel Sousa Tavares
No teu deserto
Viajam antes em massa para onde toda a gente vai e todos se encontram. As coisas mudaram muito! Todos têm terror do silêncio e da solidão e vivem a bombardear-se de telefonemas, mensagens escritas, mails e contactos no Facebook e nas redes sociais da Net, onde se oferecem como amigos a quem nunca viram na vida. Em vez do silêncio, falam sem cessar; em vez de se encontrarem, contactam-se, para não perder tempo; em vez de se descobrirem, expõem-se logo por inteiro: fotografias deles e dos filhos, das férias na neve e das festas de amigos em casa, a biografia das suas vidas, com amores antigos e actuais. E todos são bonitos, jovens, divertidos, "leves", disponíveis, sensíveis e interessantes. E por isso é que vivem esta estranha vida: porque, muito embora julguem poder ter o mundo aos pés, não aguentam nem um dia de solidão. Eis porque já não há ninguém para atravessar o deserto. Ninguém capaz de enfrentar toda aquela solidão. Eu próprio não creio que lá volte mais.
Miguel Sousa Tavares
No teu deserto
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
People...
Estava por aqui, a ver coisas que me despertam a atenção, e esta foi uma delas. A beleza dos rostos e as histórias que podemos imaginar só de olharmos para eles.
San Francisco's People. Canon 5DmkII 24p from Philip Bloom on Vimeo.
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